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quinta-feira, 20 de julho de 2017

Benfica: depois da Premier League, a vez dos Estados Unidos e da China



Além da participação num clube da Premier League, a sociedade encarnada admite atacar, em moldes idênticos, outros mercados a nível internacional
O processo de expansão da SAD encarnada pode não se limitar apenas à participação num clube da Premier League, em Inglaterra. A revelação feita por Domingos Soares Oliveira, administrador da sociedade encarnada, e Nuno Gaioso, vice-presidente das águias, vai mais longe, admitindo que "pode fazer sentido para o Benfica ter a sua marca em mercados de elevado potencial de crescimento, sejam emergentes, como os Estados Unidos ou a China, sejam consolidados, como na Europa".
Frisando que este "processo de reflexão já dura há algum tempo", o dirigente das águias revelou, em entrevista ao programa "Conversa Capital", da Antena 1 e do "Jornal de Negócios", que esta estratégia visa contornar o problema de estar num "mercado periférico". Reconhecendo que "sem uma presença efetiva de gestão em mercados críticos, o Benfica vai ter dificuldades em ser uma marca global", deu o exemplo do Manchester City, que já tem equipas nos Estados Unidos e na Austrália, atirando: "Há cinco anos era muito mais pequeno do que o Benfica em receita." "Há clubes a receber mais direitos televisivos na segunda liga inglesa do que o Benfica", disse.
Criticando o clima de confronto do futebol português, mas sublinhando que "o Benfica não tem contribuído para isso" - "ciclicamente, quem assume esse ruído são os clubes que menos venceram", atirou -, Nuno Gaioso aponta "a mediação", até política, como um dos caminhos a seguir para serenar o futebol.

terça-feira, 18 de julho de 2017







Escada  do Duque da CP
lsleofskye:
“ The Castle
”

domingo, 2 de julho de 2017

Delta Carvalho
Esta denúncia do fcp sobre o bruxo é mesmo de clube de bairro .Estão a confundir se todos bruxos era lá para as Antas e não foi pouco!!! É uma vergonha arranjarem estes estratagemas para taparem a miséria em que se encontram.E SÓ AZIA!
GostoResponder12 h

Augusto Meira
rennie está esgotada, não há data para repor
GostoResponder48 min

Maria Natividade Correia · 
Trabalha na empresa Aposentada
DESESPERO PORTISTA CONTINUA!... Por acaso também vão inventar umas tantas mulheres jovens ao Presidente do Benfica?!... Como têm feito e dito tudo à sua própria semelhança, quase que só falta isso.
DESGRAÇADOS! Chego a ter dó de tanta desgraça.

Angelo Vaz Monteiro · Liceu Nacional de Diogo Cão
Interessante esta noticia. E as contratações do FCP de bruxos para ganhar jogos, amplamente noticiadas e reeveladas pelos proprios ontem na televisão não são relevantes? Deixem-se de tretas e joguem futebol.

Angelo Vaz Monteiro · 
Interessante esta noticia. E as contratações do FCP de bruxos para ganhar jogos, amplamente noticiadas e reeveladas pelos proprios ontem na televisão não são relevantes? Deixem-se de tretas e joguem futebol.



Querem maior bruxo do que o vigarista insolvente do clube dos Andrades, olha como o gajo deve e caloteiro e não paga como devia de pagar, teve que ser as finanças a obrigar a pagar porque se não ficavam a ver navios os credores


Querem maior bruxo do que o vigarista insolvente do clube dos Andrades,

 olha como o gajo deve e caloteiro e não paga como devia de pagar, teve que 
ser as finanças a obrigar a pagar porque se não ficavam a ver navios os credores

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016


Foral Manuelino de Lisboa de 7 de Agosto de 1500, Arquivo Municipal de Lisboa, AML-AH, [Chancelaria Régia]. (Clicar para ampliar)
Foral Manuelino de Lisboa de 7 de Agosto de 1500, Arquivo Municipal de Lisboa, AML-AH, [Chancelaria Régia]. (Clicar para ampliar)
A época de 1500 a 1549 corresponde aos reinados de D. Manuel I e D. João III e é caracterizada pelo apogeu da expansão ultramarina e pela afirmação de Portugal como império, colocando-o como um dos reinos mais ricos do mundo.
É durante o reinado de D. Manuel I, que se assiste ao descobrimento do Brasil (1500), por Pedro Álvares Cabral, à criação do título de vice-rei da Índia (1505), à conquista das cidades de Malaca, Goa e Ormuz por Afonso de Albuquerque e à aprovação do tratado de Tordesilhas pelo Papa Júlio II em  1506. Sucedeu-lhe o seu filho, D. João III, que além de continuar a política absolutista do seu pai, conquistou novos territórios na Ásia, como Diu, Baçaim e Macau e iniciou a colonização do Brasil.
Com toda a riqueza acumulada, fruto do comércio ultramarino, a arte floresce e surgem magníficos monumentos de estilo manuelino, caracterizados por uma exuberante e renovada imaginação que simbolizava todo o poder régio, sendo um dos exemplos mais emblemáticos o Mosteiro de Santa Maria de Belém, vulgarmente conhecido por Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa.
A época de quinhentos é considerada a mais valiosa da literatura portuguesa. Os grandes feitos do Ultramar, as figuras heróicas, a crítica à própria sociedade contribuíram para a valorização da poesia de intenção social, que durante a primeira fase da dinastia de Avis se tinha perdido. É ainda a época do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende (1516), considerado o maior repositório de poesia portuguesa, e de Gil Vicente, considerado o pai do teatro português, que em Lisboa teve como ocupação escrever e representar autos nas cortes de D. Manuel I e D. João III. Em 1524 nasce Luís Vaz de Camões.
Portugal continuava a ser um país extremamente religioso, marcado por inúmeras procissões e manifestações de fé, através da construção de mosteiros e igrejas; a evangelização dos novos territórios descobertos é uma das prioridades da Coroa. Na Europa, surgem os primeiros movimentos protestantes - Reforma. Como forma de evitar as guerras de religião que aí grassavam, D. João III instaura a Inquisição em 1536.
Foral Manuelino de Lisboa de 7 de Agosto de 1500, Arquivo Municipal de Lisboa, AML-AH, [Chancelaria Régia]. (Clicar para ampliar)
Foral Manuelino de Lisboa de 7 de Agosto de 1500, Arquivo Municipal de Lisboa, AML-AH, [Chancelaria Régia]. (Clicar para ampliar)




Apesar de ter perdido grande parte da sua população, nos anos que se seguiram à Peste Negra de 1348 Lisboa ganhou também muitos novos habitantes, na sua maioria refugiados oriundos de outros locais do reino igualmente afectados pela pandemia e pelas suas consequências. Mas a cidade estava longe de ser o “paraíso” sonhado por todos esses imigrantes. A falta de trabalho lançava muitos deles na pobreza, na marginalidade e na mendicidade, agravando alguns dos problemas sociais característicos dos grandes centros urbanos da Idade Média. Porém, este fluxo migratório acarretava outro tipo de problemas, mormente a dificuldade de abastecer de forma eficaz um elevado número de bocas como as cerca de 35 000 que em finais do século XIV habitavam em Lisboa. E se em circunstâncias ditas normais já era difícil assegurar a subsistência de todos os lisboetas, em finais de Trezentos o quadro revelava-se ainda mais negro devido às crises cerealíferas, como as de 1355-1356 e 1364-1365.
Mas não eram apenas a doença e a fome, com todo o habitual cortejo de consequências nefastas – directas e indirectas – que afectavam negativamente a vida dos lisboetas. Assim, nas décadas de 1350 e de 1360 a capital foi também assolada por violentos sismos; em 1367 ou 1368, foi a vez de um incêndio destruir a Ribeira, a zona mais rica da urbe; mais tarde, na viragem do século XIV para o século XV, foram as marés-vivas a destruir parte da muralha que protegia a zona do Cata-que-Farás. Para além das pestes, das fomes, da instabilidade social e económica por elas provocada ou agravada e dos desastres naturais, a Lisboa de finais do século XIV foi afectada pela guerra, designadamente pelo cerco imposto em 1373 pelos exércitos de Henrique II de Castela. Foi a destruição deixada pelos castelhanos na zona extra-muros que levou D. Fernando, em 1373, a recuperar o projecto de dotar a cidade de uma nova cintura de muralhas.
A2–O Termo de Lisboa depois de 1385 (pub. por Maria Teresa Campos Rodrigues, Aspectos da Administração Municipal de Lisboa no Século XV, Separata da Revista Municipal nº 101 e 109, Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa, 1968, p. 23) [Clique para ampliar]
A2–O Termo de Lisboa depois de 1385 (pub. por Maria Teresa Campos Rodrigues, Aspectos da Administração Municipal de Lisboa no Século XV, Separata da Revista Municipal nº 101 e 109, Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa, 1968, p. 23) [Clique para ampliar]
Com uma extensão de aproximadamente 5,3 km, a cerca abrangia, na bolsa a leste da cerca moura, 26,6 hectares, e 61,2 hectares na que se situava a oeste da Cerca Velha, o que elevava a área amuralhada a mais de 100 hectares. A Cerca Fernandina era rasgada por 35 portas e defendida por 76 ou 77 torres. Foi, em grande medida, graças a esta estrutura que Lisboa resistiu, em 1384, a um novo cerco imposto pelas forças de D. Juan I de Castela, marido de D. Beatriz, apoiadas por um importante sector da sociedade portuguesa. O cerco foi, tudo o indica, mais violento que o de 1373, com os sitiadores a permanecer junto dos muros da cidade entre Maio e Outubro. A Lisboa dos anos finais de Trezentos e de inícios de Quatrocentos é, pois, marcada pelos efeitos dos dois cercos e de longos anos de crise demográfica, social, política, cerealífera e económica. Mas havia sinais de esperança e inúmeras expectativas depositadas em D. João I.
E um dos motivos pelos quais a cidade podia encarar o futuro com algum optimismo era o importante conjunto de mercês recebidas do rei na sequência do cerco de 1384: propriedades, isenções fiscais, perdão de dívidas e, acima de tudo, o redimensionamento do seu termo com a integração das vilas e termos de Sintra, Torres Vedras, Alenquer, Colares, Ericeira, Mafra e Vila Verde. Existem indicadores de uma lenta melhoria das condições de vida dos lisboetas a partir dos primeiros anos de Quatrocentos. A edificação do Bairro de Vila Nova, por exemplo, revela a existência de uma procura crescente de habitações com melhores condições. Obras como a do o mosteiro do Carmo ou do Paço dos Estaus atestam o momento de alguma prosperidade que então se vivia, acelerado, em grande medida, pela expansão militar para o Norte de África e pelas expedições de reconhecimento da costa ocidental africana, mas também pela colonização da ilha da Madeira.
Bibliografia
FONSECA, Luís Adão da, “Lisboa Medieval e o seu termo”, in Lisboa Subterrânea, Lisboa, Lisboa 94 / MNA, 1994, pp. 86-91.
MARQUES, A. H. de Oliveira, Nova História de Portugal, Vol. IV – Portugal na Crise dos Séculos XIV e XV, Lisboa, Presença, 1987.
MARQUES, A. H. de Oliveira, “Lisboa Medieval: Uma visão de conjunto”, in Novos Ensaios de História Medieval Portuguesa, Lisboa, Presença, 1988, pp. 89-91.
MARTINS, Miguel Gomes, Lisboa e a Guerra (1367-1411), Lisboa, Livros Horizonte, 2001.
MARTINS, Miguel Gomes, A Vitória do Quarto Cavaleiro: O Cerco de Lisboa de 1384, Lisboa, Prefácio, 2006.
SILVA, Augusto Vieira da, A Cerca Fernandina de Lisboa, 2.ª edição, Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa, 1987, 2 vols.
KRUS, Luís, OLIVEIRA, Luís Filipe, FONTES, João Luís (coord.), Lisboa Medieval: Os Rostos da Cidade, Lisboa, Livros Horizonte, 2007.


segunda-feira, 27 de junho de 2016

Parlamento da África do Sul, 2016

Parlamento da África do Sul, 2016

Parlamento da Turquia, 2015

Parlamento da Turquia, 2015

Parlamento do Japão, 2015

Parlamento da Ucrânia, 2014

Parlamento da Ucrânia, 2014

Parlamento da Ucrânia, 2014

Parlamento da Turquia, 2014

Parlamento da Turquia, 2014

Parlamento de França, 2013

Parlamento de Hong Kong, 2013

Parlamento da Ucrânia, 2012

Parlamento da Ucrânia, 2012

Parlamento da Ucrânia, 2012

Parlamento da Coreia do Sul, 2011

Parlamento da Ucrânia, 2008

terça-feira, 29 de março de 2016

A Terra dos meus Visavós

A questão da formação da linha de castelos a Sul do rio Alva permanece por esclarecer. Não existem dúvidas acerca da implementação de uma rede defensiva de época islâmica na região, visível, em particular, na concentração de topónimos originados a partir da palavra árabe qal'a al-rãyya (catraia). Esta linha parece-nos ter sido originada numa época já avançada, provavelmente na sequência das conquistas de al-Mansur de final do século X. No entanto, dessa rede não terá feito parte o castelo de Avô, cujas primeiras notícias datam somente do século XII. Mesmo as notícias relativas à existência da localidade de Avô, no início do século IX, devem ser encaradas com reservas, uma vez que não está suficientemente provada a relação de uilar auolo (referida em 908) com a actual vila de Avô, ao contrário do que pretendeu José Bigote. E o mesmo se deve dizer em relação a um eventual passado romano, constantemente argumentado, mas ainda não arqueologicamente comprovado.

De acordo com as investigações de António Nogueira Gonçalves, o castelo teria sido construído nos primeiros tempos da monarquia portuguesa e em estrita relação com a manutenção da actividade mineira na região. No final do reinado de D. Sancho II, na guerra civil então verificada contra seu irmão, futuro D. Afonso III, o castelo desempenhou papel importante, sendo entregue a Pedro Martins e, posteriormente, destruído pela facção vencedora. Em 1254, uma bula de Inocêncio IV exortava o monarca português a reconstruí-lo, o que só deverá ter sido consumado no reinado de D. Dinis.

Não obstante as múltiplas transformações por que passou, são vários os indícios que apontam para uma cronologia dionisina de parte do conjunto militar que chegou até aos nossos dias. O principal é a configuração oval da cerca, em polígono irregular, acessível por portal de arco quebrado. O segundo é a incorporação da torre de menagem na muralha, protegendo o ângulo Sul da fortificação. Estas duas características, apesar de esclarecedoras quanto à cronologia do castelo, são evidentemente redutoras numa perspectiva de análise global do conjunto. Com efeito, não estamos suficientemente informados a respeito do sistema de torres, da organização interna do recinto, de eventuais dispositivos complementares de defesa e da própria história do castelo e consequente relevância regional durante o final da Idade Média.

Aparentemente inalterado durante a época moderna, num sinal que deve ser interpretado como revelador da posição secundária que assumiu ao longo desse período, começou a ser desmantelado no século XIX, num processo comum a muitas outras fortalezas medievais do país. Em 1856, a Câmara de Oliveira do Hospital ordenou a destruição da torre de menagem, pois ameaçava ruir a todo o instante. Em 1879, grande parte da secção Sul das muralhas foi desmantelada para se aplicar a pedra na construção da estrada distrital que rasga esta parcela de território. E durante essa segunda metade de século muitos particulares recorreram ao velho castelo para obter pedra para as suas construções.

A derradeira fase de obras, responsável pelo actual aspecto da fortaleza, decorreu nas décadas de 40 e de 60 do século XX. Nessa altura, os castelos portugueses foram objecto de grande interesse por parte dos restauradores, ao abrigo da ideologia estado-novista, que via nestes elementos patrimoniais um notável eco do glorioso passado nacional. Logo em 1942 procedeu-se à reconstrução de parte das muralhas e, entre 1963 e 1966, novos trabalhos decorreram na cerca e na capela de São Miguel, templo localizado no interior do castelo e cujas origens remontam ao período medieval, embora alvo de sucessivos melhoramentos ao longo dos séculos posteriores.

sábado, 19 de março de 2016

PARADA DA PARODIA 2

16. UMA GRAVATA PARA CADA BURRO
Durante semanas, a redacção da "Parada da Paródia" foi animada por uma das grandes polémicas que preencheram as páginas de vários números consecutivos: a grave questão da gravata!
Tudo começou numa noite, quando, terminada a reunião da redacção, resolvi ir, com o Ruy Andrade, tomar uns copos a uma "boîte" que havia ali perto do Camões, chamada "Bico Dourado", e que tinha como emblema um colorido papagaio. Passei por casa, tomei um banho, esfreguei-me com água de colónia, apliquei pó de talco nos sítios apropriados e empinoquei-me todo, com camisinha de seda italiana, fato novo, sapatos bem engraxados, tudo do melhor, já que, nesse tempo, a vida não me corria mal.

Lá fomos, de táxi. Apeámo-nos à porta da "boîte", o porteiro tirou o boné, o Ruy entrou - e eu, inesperadamente, sou impedido de passar. "Desculpe" - dizia o porteiro "mas o senhor não pode entrar assim. Não traz gravata..."

Realmente, não levava gravata. Nem a camisa a pedia, nem eu gostava de atar ao pescoço esse trapinho, que era então uma espécie de símbolo, nem sei bem de quê. É preciso que se saiba que, nesses belos anos sessenta, cenas destas aconteciam com alguma frequência. Era assim que, por exemplo, no Café Chave D'Ouro, no Rossio, o porteiro, todo engalanado como um general de opereta, também proibia a entrada aos indígenas desengravatados. Mas, aí, tínhamos nós, os contestatários, um truque infalível: entrávamos, dois a dois, sem gravatas - a falar Inglês! O homem todo se curvava em vénias e chapeladas, e acho que nunca chegou a descobrir a marosca.
Mas agora, no "Bico Dourado", a coisa estava feia. O porteiro insistia em me emprestar uma gravata sebenta que lá tinha, para estas crises, o que eu recusei redondamente: "Eu estou decentemente vestido! Portanto, quero entrar!" E o homem, aflito, muito encavacado, a falar de "ordens da gerência"...
O cúmulo da anedota foi quando, no meio disto, passa por nós um tipo todo mal enjorcado, amarrotado, com o ar mais enxovalhado deste mundo, de barba por fazer, imundo - mas com gravata. Foi respeitosamente saudado, e entrou. Passei-me por completo! Fiz um escândalo, falei com o gerente, que me dizia: "Sim, eu reconheço que o senhor até está muito bem apresentado, mas, compreende, é por causa das senhoras... As senhoras podiam não gostar..." E eu, danado: "Senhoras? As tipas a quem chama senhoras, que estão aí dentro, até haviam de agradecer que a gente entrasse já em cuecas, para poupar tempo!" - e outros despautérios deste jaez.
Saí dali disparado para a redacção e, às quatro da manhã, estava a escrever uma prosa violenta sobre uma tal casa chamada "Bico Calado" (ilustrada com o emblema do papagaio, mas com uma gravata atada ao bico) e com um slogan agressivo: "Dêem uma gravata a cada burro... e até os burros, se tiverem gravata, têm entrada nas boîtes, com direiro a vénia do porteiro!".
Aquilo deu origem a uma campanha, que durou várias semanas, e que teve os seguintes efeitos práticos: o proprietário do "Bico" telefonou-me, implorando que não insistisse no assunto, porque a clientela passava o tempo a gozar com ele, e já tinha decidido acabar com aquela regra; outras casas, anteriormente renitentes, já condescendiam em deixar entrar homens sem gravata, desde que estivessem decentemente apresentados; e, numa discoteca do Estoril, havia festas todas as noites, em que era proibido entrar de gravata (quem a levasse tinha que deixá-la no bengaleiro!).
Mas, a maior homenagem que foi feita à minha justa luta, foi quando, no jantar do primeiro aniversário da "Parada da Paródia", que reuniu todos os colaboradores, pessoal da oficina gráfica, anunciantes, amigos, etc., toda a gente, sem excepção, apareceu desengravatada!

PARADA DA PARÓDIA

14. COLABORADORES MUITO ESPECIAIS
 Já se viu que a "Parada da Paródia" tinha muitos colaboradores. Uns tinham mais piada que outros, como é evidente - mas, entre eles, houve quem se tornasse notado por razões que pouco tinham a ver  directamente com o Humor.
Ao acaso, aqui vão dois episódios: um, de um colaborador da parte escrita; outro, de um desenhista...
 Certo dia, recebeu-se na redacção uma carta assinada com o pseudónimo "Zé que Ri", sem mais indicação alguma; nem nome, nem morada - nada. Eram uns versos em forma de gazetilha, muito bem feitos e com muita graça. Ficaram a repousar numa gaveta, à espera de identificação do autor.
Daí a dias, nova carta e novos versos, ainda melhores e ainda com mais graça. E, uma semana depois, outra. Resolvi começar a publicar aquilo. Arranjou-se uma secção com o título "Broncas Rimadas" e, semana após semana, foram-se publicando as gazetilhas - que continuavam a vir pelo correio, regularmente. E nós sem sabermos nada do autor! "Mas lá que o tipo tem laracha, isso tem! Vê-se que é um rapaz de espírito jovem e arejado!" - era o que todos comentávamos, na redacção.
Até que, um dia, batem à porta e aparece, finalmente, o misterioso "Zé que Ri". Vinha, timidamente, saber se tinha alguma coisa para receber, das suas colaborações. Claro que tinha, e logo lhe foi pago. Só que... para nosso espanto, o "tipo com piada", o "jovem arejado" não era um "tipo" nem era nada jovem; era, sim, uma senhora já entradota, pequenina, esquisita, feíssima de meter medo, ainda que muito simpática!
 Quanto ao outro episódio, tem a ver com um dos numerosos desenhadores que por lá apareciam, nas reuniões de redacção. Só que este (cujo nome não vou revelar, já vão perceber porquê), estava longe de ser das companhias mais apreciadas. É que o rapaz cheirava mal que era uma coisa por de mais! Assim que franqueava a porta da redacção, espalhava-se por toda a vasta sala um fedor impossível de aguentar. Logo alguém corria a abrir as janelas. Qual quê! A intensidade do mau cheiro superava todas as correntes de ar provocadas para afastá-lo! O pior era no inverno, quando o frio, o vento e a altitude (recordo que estávamos num 13º andar!) nos punham em perigo de substituirmos um valente fedor por uma valente constipação!
Ainda por cima, o moço não tinha a mínima noção do incómodo que causava. Adivinhava-se que não tomava banho há, pelo menos, um ano - se é que alguma vez experimentara tão insólita operação. A gente lançava indirectas, contava histórias, falava do Luís XV, que constava nunca se ter banhado - mas esse, ao menos, encharcava-se em perfumes, para disfarçar. O nosso desenhista mal-cheiroso nem pestanejava.
Um dia, sabendo que ele fazia anos, resolvemos oferecer-lhe um enorme sabonete, artisticamente embrulhado, com uma dedicatória apropriada. Ele abriu o pacote, desconfiado, e saíu-se com uma frase que nos fez perder toda a esperança de que a situação (e o cheiro) algum dia desaparecessem: "Mas... isto serve para quê?"...

quarta-feira, 16 de março de 2016











(Images by Duane Bryers, via Messy Nessy Chic and Daily Mail Online)
Not only was Hilda one of the only plus-sized pin-up girls of her time, but she also displayed a fun, carefree and somewhat clumsy attitude, making her all the more charming.